#190 • Menos é Mais
Objeto: Cadeira Barcelona de Mies Van Der Rohe
Esta é a série Vida & Design em 200 Objetos. Nela, apresento uma visão pessoal a partir de exemplos comuns, para mostrar que há uma "camada" de inteligência por trás de tudo o que usamos no dia a dia. Os números aparecem fora de sequência.
Um ícone do minimalismo
Há mais de 20 anos, quando eu fiz pós-graduação em design, levantei em sala de aula a questão da estética x funcionalidade/conforto. Ou seja: será mesmo que, quanto mais bonito um objeto ou peça de design, menor a sua funcionalidade ou o seu conforto ao usar? (E vice-versa?)
"Nem sempre" é a resposta. Alguns objetos belíssimos também são muito funcionais, mesmo porquê há uma certa porção de estética embutida na própria funcionalidade. Na ocasião, uma colega muito mais experiente que eu me deu o exemplo da Cadeira Barcelona, criada por Ludwig Mies Van Der Rohe para a Exposição Internacional de 1929, realizada na cidade que deu nome ao objeto.
Com uma estrutura extremamente elegante, ela é formada por duas almofadas quadradas, revestidas em couro, arranjadas em um ângulo de 90 graus e elevadas por duas curvas de aço inoxidável (um semicírculo e um "S"). Três barras horizontais ligam as curvas, trazendo tiras de couro que dão sustentação ao assento.
Cito Van Der Rohe e sua cadeira aqui para falar sobre minimalismo. Afinal, não é dele a frase, mas foi o arquiteto germano-americano que popularizou a expressão "menos é mais", tão usada por designers desde o século 20. Não se trata apenas de um bordão; é quase uma religião.
Mas por que o minimalismo é tão caro aos designers e arquitetos? São várias as razões:
• O minimalismo dá foco aos objetos, peças e construções. Quando há pouco estímulo sensorial, é possível focar no que há de mais importante. No exemplo abaixo, vemos como o olho é atraído pelo quadro da imagem à direita, enquanto do outro lado ele se perde em meio à competição.
Qual chama mais atenção?
• Ele proporciona clareza em relação à funcionalidade. Um edifício com corredores claros e desobstruídos gera menos confusão para visitantes. Um dispositivo eletrônico com dois botões é intuitivamente mais fácil de usar do que algo complexo, com mil funções.
• Uma peça minimalista mantém sua estética por mais tempo, já que é mais improvável que "saia de moda".
• E finalmente, é mais provável que um objeto minimalista proporcione uma manutenção descomplicada. Não que não existam objetos minimalistas complexos, mas é razoável relacionar simplicidade de forma/função a simplicidade de manutenção.
Esses princípios podem ser vistos na Cadeira Barcelona. Não é à toa que, em To Bauhaus to your house, Tom Wolfe escreveu que ela é: "o ideal platônico da cadeira".
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Imagem: Design Within Reach / Britanica
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